5 de novembro de 2007

Alamares

Letra: Linhares Barbosa
Música: Jaime Santos

Comprei uns alamares
P'ra enfeitares o teu varino
Quero-te à marialva
À moda antiga
Chapéu de aba direita
De um castiço figurino
E na boca formosa uma cantiga

Bota de pulimento
Que se veja bem o salto
Biqueira miudinha afiambrada
E uma cinta de seda
Sobre calça de cós alto
Samarra de astracã afadistada

Na Mouraria
Desde a Amendoeira à Guia
Vamos encher de alegria
Esse bairro sonhador
Que esta guitarra
Tenha a voz de uma cigarra
Que o seu trinado desgarra
Numa cantiga de amor

Gravata à cavaleira
Na tua camisa branca
Fica mesmo ao pintar
Se não te importas
Vamos depois aos toiros
No Domingo a Vila Franca
E na segunda-feira
Para as hortas

Na adega mais antiga
Da Calçada de Carriche
Havemos de cartar o rigoroso
E pões uma melena
No cabelo de azeviche
E sobre a orelha
Um cravo imperioso

O FADO não morreu!!

Ó fadistagem apenas queria que soubessem que este blog não morreu e irá ter muitas mais letras de hoje em diante.

Um abraço/beijinho (ou os 2),

Manuel L. O. Marçal

21 de julho de 2006

Tudo isto é Fado

Letra: Fernando Carvalho
Música: Aníbal Nazaré
Perguntaste-me outro dia
Se eu sabia o que era o fado
Eu disse que não sabia
Tu ficaste admirado
Sem saber o que dizia
Eu menti naquela hora
E disse que não sabia
Mas vou-te dizer agora

ESTRIBILHO

Almas vencidas
Noites perdidas
Sombras bizarras
Na mouraria
Canta um rufia
Choram guitarras
Amor ciúme
Cinzas e lume
Dor e pecado
Tudo isto existe
Tudo isto é triste
Tudo isto é fado

Se queres ser meu senhor
E teres-me sempre a teu lado
Não me fales só de amor
Fala-me também do fado
É canção que é meu castigo
Só nasceu p'ra me perder
O fado é tudo o que eu digo
Mais o que eu não sei dizer

ESTRIBILHO

Cavalo Baio

Letra: Maria Manuel Cid
Musica: Fado Triplicado

Fui dali, da minha terra
À Feira de Salvaterra
Comprar um cavalo baio
Tem a pele muito fina
Tem muito sedosa a crina
E palheta como um raio

Fui depois a Vila Franca
Para ver como ela arranca
À cabeça da manada
E no Colete Encarnado
Com ele à frente do gado
Não houve rés tresmalhada

À Chamusca fui um dia
Para que o Mestre Zé Maria
O levasse a tourear
E quinta-feira de Espiga
Sem tentar nenhuma briga
Foi uma tarde de pasmar

Certo dia de manhã
Fui à feira da Golegã
Como era o meu desejo
E tive a prova final
Que o meu Baio era afinal
O melhor do Ribatejo

24 de maio de 2006

Disse-te adeus

Letra: Manuela de Freitas
Música: Frederico de Brito (Fados dos Sonhos)

Disse-te adeus não me lembro
Em que dia de Setembro
Só sei que era madrugada
A rua estava deserta
E até a lua discreta
Fingiu que não deu por nada

Sorrimos à despedida
Como quem sabe que a vida
É nome que a morte tem
Nunca mais nos encontrámos
E nunca mais perguntámos
Um p'lo outro a ninguém

Que memória ou que saudade
Contará toda a verdade
Do que não fomos capazes
Por saudade ou por memória
Eu só sei contar a história
Da falta que tu me fazes

Velho fado corrido

Letra: ?
Fado: ?

Velho fado corrido
Se foste dos mais bairristas
Porque é que te mostras esquecido
Na garganta dos fadistas

Contou-me um velho amigo
Como o fado era tratado
Tinha graça o fado antigo
Da forma que era cantado

Um ramo de loiro à porta
Indicava uma taberna
À noite era uma lanterna
Com sua luz quase morta

E como ao fado tudo importa
Foi sempre da taberna amigo
Do infeliz ao mendigo
Da desgraça e da miséria
Também tinha gente séria
Contou-me um velho amigo

Sobre os cascos da vinhaça
Deitada de forma bizarra
Estava sempre uma guitarra
Para servir de negaça

E um canjirão da murraça
De tosco barro vidrado
Andava sempre colado
Aos copos pelo balcão
E era assim nesta função
Que o fado era cantado

Se aparecia um tocador
Às vezes até zaranza
Pedia ao tasqueiro a banza
Para mostrar seu valor

Logo havia um cantador
Que num tom de certo perigo
Provocava o inimigo
No cantar à desgarrada
Até às vezes com lambada
Tinha graça o fado antigo

Todos prestavam sentido
Quando alguém cantava o fado
O tocar era arrastado
E o estilo dava a garganta
Pouco tempo decorrido
Cheia a taberna se via
Para escutar a cantoria
Ao som do fado corrido

Escutei com atenção
Um cantador do passado
E a sua linda canção
Prendeu-me para sempre ao fado

Por muito que se disser
O fado é canção bairrista
Não é fadista quem quer
Mas sim quem nasceu fadista