3 de fevereiro de 2006

Carmencita

Fado: ?
Letra: Frederico de Brito (ajuda da Rita)

Chamava-se Carmencita
A cigana mais bonita
Do que um sonho, uma visão

Diziam que era a cigana
Mais linda da caravana
Mas não tinha coração

Os afagos e carinhos
Perdeu-os pelos caminhos
Sem nunca os ter conhecido

Anda buscando a aventura
Como quem anda à procura
De um grão de areia perdido

Numa noite de luar
Ouviram o galopar
De dois cavalos fugindo

Carmencita, linda graça
Renegando a sua raça
Foi atrás de um sonho lindo

Com esta canção magoada
Se envolve no pó da estrada
Quando passa a caravana

Carmencita, Carmencita
Se não fosses tão bonita
Serias sempre cigana

3 de janeiro de 2006

Blog do dia: Fadinhos

Mui honrado me senti ao saber que o nosso humilde Blog da Tradição tinha sido nomeado Blog do dia: Fadinhos...

Espero desta maneira ter mais visitantes ávidos de contribuírem com as letras que conhecem.

Relembro que as letras devem ser enviadas para manuel_marcal@hotmail.com e de preferência com o nome do poeta e do fado onde o poema é cantado…

Fico à espera desse chuva de mails.

Marçal

Não é desgraça ser pobre

Letra e música Norberto Araújo
Fado menor do porto

Não é desgraça ser pobre,
Não é desgraça ser louca:
Desgraça é trazer o fado
No coração e na boca.

Nesta vida desvairada,
Ser feliz é coisa pouca.
Se as loucas não sentem nada,
Não é desgraça ser louca.

Ao nascer trouxe uma estrela;
Nela o destino traçado.
Não foi desgraça trazê-la:
Desgraça é trazer o fado.

Desgraça é andar a gente
Se tanto cantar, já rouca,
E o fado, teimosamente,
No coração e na boca.

29 de dezembro de 2005

Memórias de um Chapéu

Letra: Aldina Duarte
Fado: Cunha e Silva

Quisera então saber toda a verdade
De um chapéu na rua entrado
Trazendo a esse dia uma Saudade
Algum segredo antigo e apagado

Sentado junto a porta desse encontro
Ficando sem saber a quem falar
Parado sem saber qual era o ponto
Em que devia então eu começar

Parada na varanda estava ela a meditar
Quem sabe se na chuva, no sol, no vento ou no mar
E eu, ali parado, perdido a delirar
Se aquela beleza era meu segredo a desvendar

Porém, apagou-se a incerteza
Eram traços de beleza
os seus olhos a brilhar
E vendo que outro olhar em frente havia
Só não via quem não queria
Da paixão ouvir falar

Um dia, entre a memória e o esquecimento
Colhi aquele chapéu envelhecido
Soltei o pó antigo entregue ao vento
Lembrando aquele sorriso prometido

As abas tinham vincos mal traçados
Marcados pelas penas ressequidas
As curvas eram restos enfeitados
De um corte de paixões então vividas

Parada na varanda estava ela a meditar
Quem sabe se na chuva, no sol, no vento ou no mar
E eu, ali parado, perdido a delirar
Se aquela beleza era meu segredo a desvendar

Porém, apagou-se a incerteza
Eram traços de beleza
os seus olhos a brilhar
E vendo que outro olhar em frente havia
Só não via quem não queria
Da paixão ouvir falar

22 de novembro de 2005

Marquês de Belas

Letra: ?
Fado Mouraria

O velho Marquês de Belas
Foi sempre um bom português
Foi cavaleiro afamado
Bom forcado muita vez

Grande embaixador de el Rei
Sempre serviu Portugal
Por amor venceu a lei
Naquele duelo mortal

Falava aos novos, contava
O que viu o que passou
Nas cortes por onde andava
Quantos romances contou

Era velho não cansava
Praguejava duramente
Contra a força que ocupava
No reino da nossa gente

Deu o corpo a Santarém
Onde jaz grande soldado
Quem nunca traiu ninguém
E sentiu o nosso fado

10 de novembro de 2005

Fado da Internet

Letra e Música: Daniel Gouveia

O Fado p'ra ser castiço
não é, por isso,
antiquado.
Deve, até, ser "p'ra frentex"
e assim é que se
trata hoje o Fado.
Graças ao computador,
p´ra se compor
com grande afã,
digita-se um teclado
e o resultado
vê-se no "écran".


Pode-se falar de tascas,
rameiras rascas,
vida indecente,
mas não se vai à taberna
e quem alterna
é a corrente.
Pode o faia ser gingão,
falar calão,
andar à crava,
pode a fadista usar xaile,
mas é num "file"
que isto se grava.

Para que a gralha se evite,
faz-se um "delete"
e, a seguir,
se a memória já não vive,
faz-se "retrieve"
no mesmo "dir".
"Enter" que estás a agradar,
convém salvar,
se a coisa interessa.
Mal a letra se define,
com "print screen"
sai logo impressa.

Com o título ninguém teime:
faz-se "rename",
nem se discute.
E, se a CPU pendura,
tudo tem cura,
basta um "reboot".
Guitarras virtualizadas,
vozes filtradas
por fios eléctricos,
o Fado activa circuitos
e os seus intuitos
são cibernéticos.

Já não se escreve em toalha
a boa malha
que vem à mente.
Esse bom tempo findou-se,
agora é "windows"
o ambiente.
O Fado é feito com "bits",
em "micro-chips",
mora em "disquette",
mas não deixa de ser Fado.
Está paginado
na "Internet".

Que Deus me perdoe

Letra: Silva Tavares
Música: Frederico Valério

Se a minha alma fechada
Se pudesse mostrar,
E o que eu sofro calada
Se pudesse contar,
Toda a gente veria
Quanto sou desgraçada
Quanto finjo alegria
Quanto choro a cantar...

Que Deus me perdoe
Se é crime ou pecado
Mas eu sou assim
E fugindo ao fado,
Fugia de mim.
Cantando dou brado
E nada me dói
Se é pois um pecado
Ter amor ao fado
Que Deus me perdoe.

Quanto canto não penso
No que a vida é de má,
Nem sequer me pertenço,
Nem o mal se me dá.
Chego a querer a verdade
E a sonhar - sonho imenso -
Que tudo é felicidade
E tristeza não há.