10 de novembro de 2005

A casa da Mariquinhas

Letra: Silva Tavares
Música: Alfredo Duarte (Marceneiro)

É numa rua bizarra
A casa da Mariquinhas
Tem na sala uma guitarra
E janelas com tabuinhas

Vive com muitas amigas
Aquela de quem vos falo
E não há maior regalo
Que a vida de raparigas
É doida pelas cantigas
Como no campo a cigarra
Se canta o fado à guitarra
De comovida até chora
A casa alegre onde mora
É numa rua bizarra

Para se tornar notada
Usa coisas esquesitas
Muitas rendas, muitas fitas
Lenços de cor variada.
Pretendida, desejada
Altiva como as rainhas
Ri das muitas, coitadinhas
Que a censuram rudemente
Por verem cheia de gente
A casa da Mariquinhas

É de aparência singela
Mas muito mal mobilada
E no fundo não vale nada
O tudo da casa dela
No vão de cada janela
Sobre coluna, uma jarra
Colchas de chita com barra
Quadros de gosto magano
Em vez de ter um piano
Tem na sala uma guitarra

P'ra guardar o parco espólio
Um cofre forte comprou
E como o gaz acabou
Ilumina-se a petróleo.
Limpa as mobílias com óleo
De amêndoa doce e mesquinhas
Passam defronte as vizinhas
P'ra ver o que lá se passa
Mas ela tem por pirraça
Janelas com tabuinhas

2 de novembro de 2005

FADO DE UM BLOGGER TRISTE

Letra: Manel Marçal inspirado pela falta de ajuda para o blog
Musica: escolham

Estou triste, triste confesso
Se calhar tou é possesso
Por emails não receber

Mandem me letras de fado
Senão o blog tá acabado
Vai decerto desaparecer


É tão fácil enviá-los
É só escrever e mandá-los
Nem é preciso disquete

E quando eu os receber
Só há uma coisa a fazer
Que é postá-los na net

27 de outubro de 2005

Cavalo à solta

Letra: Ary dos Santos
Música: ??

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve, breve
instante da loucura

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura

Ironia

Letra: Armando Neves
Música: ??

Na vida de uma mulher
Por muito séria que a tomem
Há sempre um homem qualquer
Trocado por qualquer homem

O homem com dor sentida
Ou com sentido prazer
Deixa pedaços de vida.
Na vida de uma mulher

Embora terna e amante
Jurando amar um só homem
A mulher não é constante
Por muito séria que a tomem

Tanto vale a mulher bela
Como a mais feia mulher
Perdido de amor por ela
Há sempre um homem qualquer

E por mais amor profundo
Por mais juras que se somem
Há sempre um homem no Mundo
Trocado por qualquer homem

Sorriso

Letra: João de Vasconcellos e Sá
Música: ??

Ando há muito apreensivo
Sem perceber o motivo
De gostar tanto de ti
És desenvolta, engraçada
E a gente prendesse ao nada
D´ uma Mulher que sorri
Não é amor, eu não tenho
Nem leve sombra de empenho
De ser amado por ti
Fica minha alma serena
Entre essa boca pequena
Que eternamente sorri
Deus queira que a tua vida
Seja uma estrada florida
E nunca estejas zangada
Deus te dê sempre bons dias
Porque eu só quero que rias
Porque eu não quero mais nada

Amor é água que corre

Letra: Augusto de Sousa
Música: Marcha de Alfredo Marceneiro

Amor é agua que corre
Tudo passa tudo morre
Que me importa a mim morrer
Adeus cabecita louca
Hei-de esquecer tua boca
Na boca d´outra mulher

Amor é sonho, é encanto
Queixa mágoa, riso ou pranto
Que duns lindos olhos jorre
Mas tem curta duração
Nas fontes da ilusão
Amor é agua que corre

Amor é triste lamento
Que levado p´lo vento
Ao longe se vai perder
E assim se foi tua jura
Se já não tenho ventura
Que me importa a mim morrer

Foi efémero o desejo
Do teu coração que vejo
No bulício se treslouca
Onde nascer a diferença
Há-de morrer minha crença
Adeus cabecita louca

Tudo é vário neste mundo
Mesmo o amor mais profundo
De dia a dia se apouca
Segue a estrada degradante
Que na boca d´outra amante
Hei-de esquecer tua boca

Hei-de esquecer o teu amor
O teu corpo encantador
Que minha alma já não quer
Hei-de apagar a paixão
Que me queima o coração
Na boca d´outra mulher

13 de outubro de 2005

Até o Rei ia ao Fado

Letra: António Pires Ascenção (Tó Moliças)
Música: António Pires Ascenção (Tó Moliças) / Carlos Macedo

Para o mundo ser perfeito
Deus com o seu divino jeito
Pôs fado no meu país
Com esta prenda divina
Ninguém no mundo imagina
Quanto Deus me fez feliz

ESTRIBILHO

Até o Rei ia ao fado
Embuçado tanta vez
Não ia só por ser Rei
Mas sim por ser português

Eu que sou da mesma raça
Não venho cá por desgraça
Nem p'ra beber carrascão
Venho neste fado amigo
Falar-vos dum povo antigo
Rei do fado por condão

ESTRIBILHO

Para a Deus agradecer
Tudo quanto sei dizer
É obrigado mil vezes
E ao fado não façam guerra
Porque Deus quere-o na terra
Enquanto houver portugueses

ESTRIBILHO